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26/06/2009

O MERCADO

Para os liberais o mercado seria a grande panacéia capaz de resolver todos os problemas da humanidade, desde que respeitadas às chamadas regras do mercado, entre as quais reina a premissa de que o Estado jamais deve intervir nas relações econômicas de uma determinada economia. Foi acreditando nesta crença, quase que religiosamente, que os arautos da economia mundial pactuaram e articularam a criação do sistema financeiro especulativo, que tomou conta das relações entre as corporações capitalistas em tempos da chamada globalização.

No mundo globalizado a transformação das relações produtivas passou a ser a pedra de toque de todo o sistema. Assim, para as economias periféricas ao sistema, demandou-se a imediata realização de reformas que viabilizassem sua inserção no novo sistema geral de produção, que agora incluía a rede mundial, que assumia o papel de locomotiva das relações especulativas, corporativas e de produção.

A idéia vendida aos quatro ventos de que o “Deus Mercado” teria voltado para salvar os mortais de seu atraso econômico, cultural e tecnológico passou a ser vinculada a nível global. Já no campo especulativo a Bolsa de Valores de Nova York contava agora com a criação de espaços virtuais que simultaneamente, ao mundo das corporações produtivas tradicionais ampliavam o jogo de compra e venda de ações garantindo assim o processo de acumulação de riquezas através do mercado de ações das grandes nações, que trataram de financiar suas economias através do cassino especulativo em âmbito mundial; as bolsas de valores dos EUA, européias e asiáticas se transformaram em verdadeiros templos, cuja finalidade era atrair investimentos e distribuir lucros e dividendos aos seus livres e fiéis participantes.

O simulacro de relações virtuais desenvolvido, principalmente, pelos EUA com a colaboração ativa dos países do Mercado Comum Europeu, do Japão e Tigres Asiáticos fez surgir à Nova Ordem Global, que contava como novidade a criação da NASDAQ, onde as ações de instituições empresariais virtuais encontraram espaço para se capitalizar e através da rede mundial criar o Mercado Virtual, que aos poucos foi se tornando no Templo Sagrado dos negócios. Cuja lógica especulativa passava a determinar: o que, como e quando comprar e vender a felicidade. Contando ideologicamente com a idéia de que o mercado se auto-regularia, pressuposto que acabou sendo negado pela jogatina realizada no mercado imobiliário norte-americano.

A crise atual tem uma intima ligação com os argumentos aqui apresentados, pois, foi através da criação do Mercado Virtual destinado a especulação imobiliária e financeira desmedida, que o governo norte-americano conseguiu manter o financiamento de sua política econômica, além de transformar o dólar em padrão monetário mundial. O que nos faz crer que o peso dos problemas orçamentários e financeiros dos EUA, sobre a Bolsa de Valores de Nova York, preparou os ingredientes para o estouro do sistema que verificamos nos dias atuais.

Assim, cabe o questionamento: Quem é mesmo o mercado? Ele é uma entidade acima do bem e do mal ou na verdade vem servindo apenas para atender aos interesses especulativos de quem tem o capital?

Responder a tais questões não é tão fácil, pois implica na mudança de perspectiva de vida e visão de mundo de todos nós, já que no mercado ocorrem relações sejam econômicas, comerciais, sociais, culturais, etc. cujos resultados interferem no dia-dia de seres reais e não virtuais.

Acreditamos que o conceito criado na lógica liberal para a noção de mercado seja bastante limitado, e, portanto, não sendo apropriado para ser utilizado nas relações de produção concretas. Desse modo, é preciso pensar o mercado a partir de outra lógica que leve em consideração o interesse do individuo e que ao mesmo tempo satisfaça a coletividade, principalmente, no que diz respeito as suas necessidades, em nossa compreensão, o mercado é fruto de relações humanas, demasiadamente humanas.

 Hércules Azevedo

Prof. de História da Rede Estadual

 
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