03/11/2009Educação e Civilização
[1]Por, Hércules Azevedo da Silva
O paradigma civilizatório que a humanidade precisa construir no próximo milênio deve levar em conta, os acertos e erros cometidos no âmbito político, social, cultural, religioso, econômico e ambiental herdados do amplo desenvolvimento das forças produtivas, sejam as influenciadas pela lógica liberal, ou por sua, rival ideológica: a Planificação Estatal de base socialista. Neste ambiente, de hostilidades mútuas ocorreram profundas transformações sociais, cujos resultados catastróficos verificam-se em nossos dias pelo processo de desestruturação sofrido pelo principal núcleo de organização da sociedade que é a família e, cujos reflexos são imediatamente sentidos pela escola e por sua vez, pela sociedade de um modo geral. Para tanto, basta verificar os índices de violência, consumo de drogas e doenças no âmbito da psicologia que cresceram assustadoramente na sociedade industrial e pós-industrial. Isto sem aprofundar aqui as conseqüências contra o meio-ambiente causadas pelo modelo materialista e consumista, cuja lógica também contribuiu para desumanizar o ser humano.
Desse modo, quando nos deparamos com as causas da crise atual e suas conseqüências para a sociedade como um todo precisamos retirar da experiência desenvolvida no passado as lições que nos permitam pensar as saídas para a crise, sem dar espaço para que se repitam no presente os erros cometidos por aqueles que acreditavam ter no mercado a solução para todos os problemas. Assim, é necessária a reflexão desapaixonada sobre os antigos modelos de produção e distribuição de riqueza procurando retirar da experiência fracassada os elementos primordiais para a correção de rumos tão necessária para melhorar a qualidade de vida de milhões de seres humanos e ao mesmo tempo preservar as condições básicas para a manutenção de nosso planeta.
Neste sentido, a educação também precisa ser repensada não Apenas como instrumento de inserção do homem no meio produtivo, mas e, primordialmente, como caminho possível a construção de um ser capaz de pensar em si, no outro e no meio ambiente realizando seus desejos em harmonia com o todo. Este é o desafio que a humanidade precisa definitivamente se dispor a enfrentar. E o Brasil como formação cultural singular tem muito a contribuir para este intento, visto que sua organização sócio-cultural é baseada na mistura de diferentes elementos, cuja síntese permite a convivência fator indispensável ao processo civilizatório que deveremos criar para o nosso futuro como humanidade.
O desafio não se limita a negar este ou aquele modelo utilizado no passado, já que a experiência produzida nos traz a chance de superar nossas antigas verdades e limitações, em busca de novos horizontes que nos permitam realizar a dialética da vida em sua plenitude. Pois, do “homo Sapiens” ao “homo economicus” acumulou-se uma experiência que transcorreu no tempo e constituiu o que denominamos hoje como civilização, cujo elemento formador e transformador foi e ainda é a educação.
[1] Professor da Rede Pública, licenciado em História, com Pós-Graduação em Prática e Planejamento do Ensino do Terceiro Grau pela Faculdade Olga Meting e em Psicologia Transpessoal pela Faculdade Baiana de Medicina e Instituto Holon, atualmente é Conselheiro do Conselho de Gestão das Organizações Sociais - Congeos.